Atualizado em 10 de março de 2008 às 16:39 | Publicado em 14 de janeiro de 2008 às 13:17

A chance de uma pessoa ser atingida por um raio é de 1 em 1.000.000. O Brasil é o país com o maior número de tempestades elétricas do mundo. Na estimativa de especialistas, são cerca de 100 milhões de raios por ano. Os raios acontecem quando é fechado o circuito entre elétrons (carga negativa) nas nuvens e prótons (carga positiva) na terra. São tão rápidos que fazem o ar se iluminar - causando o relâmpago - e se aquecer - gerando o estrondo que chamamos de trovão.
A chance de sobreviver a um raio é de 2%. Ele mata por parada cardíaca ou respiratória. Quem sobrevive em geral sofre seqüelas - perda de memória, por exemplo. O assunto me chamou a atenção depois que visitei o Vale da Lua, uma atração turística da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

As águas de um rio moldaram as pedras ao longo de milhões de anos. Um guia local falou do perigo das tempestades para quem gosta de freqüentar cachoeiras. Ele ficava de olho no horizonte rio acima. Observava as nuvens escuras. Em caso de chuva na cabeceira do rio, daria o alerta para que os turistas batessem em retirada.
Chuvas repentinas podem causar trombas d'água. O rio sobe rapidamente e arrasta o que encontra pela frente. No Vale da Lua, por exemplo, uma tragédia ainda está na memória dos moradores da região. Nos anos 80, um grupo de escoteiros foi pego de surpresa por uma tromba d'água. Os corpos de quatro ou cinco deles (o número varia, de acordo com a fonte) foram encontrados entre as pedras.

Mergulhar na água gelada de uma cachoeira é um dos maiores prazeres para quem acaba de fazer uma longa caminhada. Mas também nesse caso é preciso muita cautela. O guia me instruiu: nunca confie na palavra alheia, nem mesmo na de um guia. Antes de mergulhar, cheque você mesmo a profundidade do poço e onde estão as pedras mais rasas. E só mergulhe de cabeça se tiver experiência nisso. Um salto de mau jeito pode causar lesões ou deixar o mergulhador desorientado sob a água.

No Vale da Lua, cair nas corredeiras é morte quase certa. Infelizmente, já aconteceu - pelo menos foi o que informou o guia. Um rapaz teria pulado em pé, no poço que aparece na foto acima, duas vezes. Confiante, tentou a terceira. Foi levado pela correnteza e morreu afogado.
Visitar o Vale da Lua é um passeio imperdível para quem vai à Chapada dos Veadeiros. Guias acompanham os turistas até as pedras que lentamente são esculpidas pela força da água. Mas é essencial obedecer aos guias, principalmente na temporada das chuvas, que coincide com o verão. Elas começam em dezembro e terminam em março - em 2006, avançaram até o mês de abril. As cachoeiras ficam ainda mais bonitas, por causa do maior volume de água.
Mas é bom suspender a aventura em caso de tempestades.
No caso de tempestades elétricas, o risco é mínimo. Atravessar uma avenida de São Paulo é muito mais perigoso. Mas se você quer saber o que recomendam os especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), lá vai:
"Se você estiver em campo aberto durante uma tempestade de raios e sentir os pêlos arrepiados ou a pele coçar, ajoelhe-se, bote a mão nos joelhos e a cabeça entre eles. Afaste-se de linhas de energia elétrica, postes, árvores, trilhos ou cercas. Se estiver no topo de um morro, desça o mais rápidamente possível. Não tente fugir de bicicleta ou motocicleta - veículos sem capota não servem de abrigo. Se estiver pescando, desista. Mantenha-se longe de objetos metálicos longos. E não atenda ao telefone, nem mesmo ao celular."
Publicado originalmente em 2006
Mudando de assunto.. Você soube disso?? Mais de 200 mil marcham contra Uribe na Colômbia Em repudio às matanças perpetradas pelos paramilitares, milhares de colombianos protestaram contra o governo de Álvaro Uribe. Multidão chamou presidente de "lacaio imperialista". Jovens enfrentaram a polícia no fim do protesto. Pelo menos dez ficaram feridos. Jorge Enrique Botero - La Jornada BOGOTÁ - Como um rio furioso cujas águas tivessem estado represadas por anos, a maior multidão vista nos últimos tempos saiu às ruas de 21 cidades colombianas, no dia 6 de maço, para render tributo às vítimas dos paramilitares e de crimes de Estado.