Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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A 300KM por hora Utilidades

O FIM DA CARREIRA DE ÉMERSON FITTIPALDI

Atualizado em 11 de abril de 2008 às 16:33 | Publicado em 01 de maio de 2006 às 12:20

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O cinegrafista Luiz Carlos Novaes, com o auxílio de uma assistente americana, segura o rebatedor - uma bolacha de fibra sintética que ajuda a iluminar o meu rosto. Estávamos na pista mais rápida da Fórmula Indy, a super-oval de Michigan. Nas retas, os carros passam dos 300 quilômetros por hora.

Comecei a acompanhar corridas de automóvel ainda nos tempos da Rede Manchete. Minha primeira transmissão como repórter foi no GP da Austrália, em Surfers Paradise. Quando a emissora entrou em decadência e fechou o escritório em Nova York, onde eu trabalhava como correspondente, fui contratado pelo piloto Émerson Fittipaldi.

Émerson, que era dono dos direitos de transmissão da Indy para o Brasil, montou uma empresa com Ricardo Scalamandré - hoje meu colega na TV Globo. Quando Émerson transferiu os direitos para o SBT, fiz parte do pacote vendido à emissora.

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Entrevisto Gil de Ferran, observado pela assessora dele na época, Kika Concheso. "Virei totalmente executivo, 100 por cento. Assim como eu era 100 por cento piloto. Não sinto falta de correr de carro. Nada tira o meu foco dessa minha nova carreira", disse Gil recentemente à agência de notícias Reuters. Gil tornou-se diretor esportivo da equipe BAR, da Fórmula 1.

Acompanhei quase toda a carreira dele como piloto da Indy, da estréia à primeira vitória. Além de piloto, era amigo. Na categoria, foi bicampeão e venceu a prova mais importante, as 500 Milhas de Indianápolis, em 2003. Não quero parecer pretensioso.

São os fãs do automobilismo que freqüentemente me dizem: no SBT, nossa equipe revolucionou as transmissões. Em programas especiais, mostrávamos desde os detalhes técnicos da categoria até as atividades dos pilotos fora das pistas. Era um ambiente agradável. Todos nos sentíamos em casa. Téo José, Dedê Gomez, Luiz Carlos Novaes, Gilberto Fernandes Jr. e Tim Mayer formavam um time dedicado e talentoso.

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Com a ajuda de Luiz Carlos Novaes, mostro o carro usado por Gil de Ferran em uma das temporadas. Além de acesso completo aos bastidores da categoria, nossa equipe criou um jeito novo de mostrar o automobilismo. Tínhamos caminhão próprio de transmissão, o que permitia acrescentar câmeras exclusivas e colocar os créditos em português.

A filosofia era a de humanizar a competição. Mostrar a ambição, a vaidade, a humildade, a alegria e a frustração de pilotos, mecânicos e donos de equipe. Durante as provas, Tim Mayer monitorava os rádios de comunicação das equipes e da organização. Isso permitia informar com antecedência quando seriam feitas as paradas para troca de pneus e reabastecimento.

Nos boxes, nossa equipe tinha mobilidade para fazer entrevistas durante a corrida, sempre ao vivo. Da cabine, Téo José podia entrevistar os pilotos dentro do cockpit, antes da largada ou depois da bandeirada final. Para isso, usava a mesma freqüência da comunicação entre o piloto e equipe. Téo marcou época com um bordão inesquecível: "Não perde mais", gritava ele, quando a vitória de um piloto era certa.

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A foto registra o acidente que acabou com a carreira de Émerson Fittipaldi. Foi nas 500 Milhas de Michigan, em 1996. Na entrada da curva um, o carro dele foi tocado pelo do canadense Greg Moore. Émerson rodou e bateu no muro. A prova foi interrompida. O resgate foi delicado.

Mantive os equipamentos de transmissão ligados e saí às pressas para o hospital. Émerson corria o risco de ficar paralisado. Foi um dos momentos mais emocionantes de minha carreira. Apesar da distância entre o hospital e a pista, o equipamento continuava funcionando.

Eu transmitia informações sobre o estado de saúde de Émerson ao mesmo tempo em que tentava consolar familiares do piloto - Teresa Fittipaldi e os filhos do casal estavam ao meu lado. André Ribeiro venceu a corrida, mas a atenção estava voltada para a situação de Émerson.

Ele foi transferido para Miami, onde enfrentou uma cirurgia delicada. O assunto ganhou importância nacional - Émerson, além de campeão da Fórmula 1, tinha título da Indy, duas vitórias nas 500 Milhas de Indianópolis e era patrono de uma nova geração de pilotos brasileiros. A TV Globo entrou firme na cobertura, mas o furo de reportagem foi nosso.

Entrevistamos Émerson dentro do hospital, em recuperação, tranquilizando milhões de fãs que sempre torceram por ele. Hoje em dia, sete anos depois de ter voltado à TV Globo, não é incomum que eu seja parado em algum lugar público por alguém que se lembra dos velhos tempos. Quase sempre é um fã da Fórmula Indy.

Publicado originalmente em 2006


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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
macka (10/01/2008 - 21:31)
falta eu !!



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