Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha
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COMO PERDER DOIS QUILOS EM ALGUMAS HORAS

Atualizado e Publicado em 26 de janeiro de 2008 às 00:59

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Depois de bater no muro que cerca a pista do autódromo de Indianápolis, o carro do piloto japonês Hideshi Matsuda ficou envolto em chamas. No impacto, o óleo do motor vazou e o atrito provocou o incêndio. Já testemunhei cenas bizarras quando era repórter da Fórmula Indy. O texto a seguir foi publicado, com pequenas alterações, na revista Speedway:

"As pessoas sempre me perguntam qual é a maior dificuldade de ser repórter nos boxes da Fórmula Indy. Desculpem a falta de charme da resposta: o calor. Eu e o Luiz Carlos Novaes, o Tigrão - cinegrafista que me acompanha no corre-corre - já perdemos dois quilos cada durante uma corrida de 500 milhas, em Michigan.

Pesamos na balança do hotel. Por causa do regulamento, somos obrigados a vestir um macacão similar ao dos pilotos. A Cart faz a exigência porque trabalhamos junto aos mecânicos e aos tanques de combustível. A precaução faz sentido: a chama do metanol, usado para abastecer os carros, é invisível.

Nunca me esqueço de uma cena que testemunhei nos treinos das 500 Milhas de Indianápolis. Um piloto desceu do carro no meio da pista e começou a se bater. Depois, rolou no chão. Ninguém entendeu o que estava acontecendo. Enfim a equipe de resgate se deu conta: ele estava pegando fogo.

Um vazamento de combustível tinha provocado um incêndio, que atingiu o cockpit. Ainda bem que, todo protegido pelas roupas, o piloto sofreu apenas queimaduras leves no rosto. Vestir macacão, portanto, faz parte do ofício. O problema é que a maioria das corridas da Indy acontece em pleno verão americano. É de amargar. Eu e o Tigrão corremos sem parar nos boxes.

São 400 metros de uma ponta à outra. Pior para o Tigrão, que carrega cerca de 17 quilos nas costas - peso da câmera e dos equipamentos de comunicação. Somos acompanhados por um gringo que faz o papel de "pointer". Ele aponta a antena móvel em direção a uma antena fixa, que manda as imagens para o caminhão de transmissão.


Durante a corrida tenho de prestar atenção no que dizem cinco pessoas: o narrador Téo José, o comentarista Dedê Gomez, o diretor de TV Gilberto Fernandez Júnior e os operadores de áudio, Tuta Aquino, e de vt, Jorge Bernardo. Por incrível que pareça, em cinco anos de Fórmula Indy nunca assisti a uma corrida completa, ao vivo.

O que vi foi nos boxes, acompanhando o abastecimento e as trocas de pneus. A narração de Téo José serve de guia para minhas disparadas. Tem que ser tudo rápido, na velocidade da corrida. Boxe do André Ribeiro, para checar com a Tammy - assessora de imprensa - quando o piloto brasileiro vai parar. Dali para o boxe da equipe do Gil de Ferran, para perguntar ao dono da equipe, Derek Walker, se o carro do brasileiro tem combustível no tanque para completar a corrida.

Téo anuncia que Gualter Salles abandonou a prova. E lá vamos nós atrás do brasileiro em busca de uma entrevista.
No caso das provas de 500 milhas - 800 quilômetros -, são três horas e meia de sauna. Portanto, peço paciência ao telespectador aflito, que quer saber todos os detalhes da corrida. Se aconteceu, pode ter certeza: eu e o Tigrão estamos a caminho."

Publicado originalmente em 2006


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